Nesta prosa poética, a busca pela perfeição, por que não dizer, a perseguição ao perfeito, traça caminhos nos quais as principais necessidades do amor, da vida e da escrita são subjenciados às regras do ego.
Eu te amo e ponto final.
Como queria pôr um ponto,
parar as buscas,
regozijar a vitória,
dias e mais dias
no deleite desta sentença:
Eu te amo e ponto final.
Você me serve,
eu te sirvo
e aquilo que não serve,
nada mais importa:
Eu te amo e ponto final.
Se o palco de nossa opereta
é aqui ou acolá,
se não há nenhum palco,
onde estar.
O lugar não importa:
Eu te amo e ponto final.
Se tua bagagem traz erros,
se os meus escondidos transluzem,
se a contagem dos nossos acertos não empatam.
Mesmo assim, meu amor nos iguala:
Eu te amo e ponto final.
O mundo sumiu.
Diante da minha sentença,
diante da minha certeza,
todos se calaram e dobraram.
O horizonte posso ver,
o sol sobe, desce,
a lua imita inversamente,
nada na minha frente
e ao lado só você:
Eu te amo e ponto final.
Apenas por esta certeza,
coisa tão simples de dizer,
mas tão difícil de se ter.
Falta-me a natureza surgir,
tornando-me simples:
Eu te amo e ponto final.
Nesta minha estrada de vírgulas,
entravada de reticências,
esperando tantos capítulos,
que nunca, nunca chegam.
Nunca suficientes
para parar de compor e
simplesmente se pôr a ler:
Eu te amo e ponto final.
São tantas incertezas,
que mesmo agora,
quando encontro a frase justa,
aquela que salvaria,
o pouco da existência que me resta,
mesmo esta, que acabo de descobrir,
já quero modificá-la.
Talvez buscando uma melhor...
Talvez a achando incompleta...
É, ela era incompleta.
No começo desta ciranda,
deveria ser assim:
Eu te amo e ponto final. Vem comigo!
E mesmo assim ainda não está boa,
falta-lhe um vocativo.
E tanto tempo perco,
aprimorando a prosa...
E tanto tempo perco,
buscando as palavras...
Tanto tempo perdido,
para tornar mais linda a minha história,
que falta-me o tempo mais importante:
Aquele para achar você.