Eliana de Freitas

Que histórias são essas?

Textos

Nesta prosa poética, a busca pela perfeição, por que não dizer, a perseguição ao perfeito, traça caminhos nos quais as principais necessidades do amor, da vida e da escrita são subjenciados às regras do ego.

Eu te amo e ponto final.


Como queria pôr um ponto,
parar as buscas,
regozijar a vitória,
dias e mais dias 
no deleite desta sentença:

Eu te amo e ponto final.

Você me serve,
eu te sirvo
e aquilo que não serve,
nada mais importa:

Eu te amo e ponto final.

Se o palco de nossa opereta
é aqui ou acolá,
se não há nenhum palco,
onde estar.
O lugar não importa:

Eu te amo e ponto final.

Se tua bagagem traz erros,
se os meus escondidos transluzem,
se a contagem dos nossos acertos não empatam.
Mesmo assim, meu amor nos iguala:

Eu te amo e ponto final.

O mundo sumiu.
Diante da minha sentença,
diante da minha certeza,
todos se calaram e dobraram.

O horizonte posso ver,
o sol sobe, desce,
a lua imita inversamente,
nada na minha frente
e ao lado só você:

Eu te amo e ponto final.

Apenas por esta certeza,
coisa tão simples de dizer,
mas tão difícil de se ter.

Falta-me a natureza surgir, 
tornando-me simples:

Eu te amo e ponto final.

Nesta minha estrada de vírgulas,
entravada de reticências,
esperando tantos capítulos,
que nunca, nunca chegam.

Nunca suficientes 
para parar de compor e 
simplesmente se pôr a ler:

Eu te amo e ponto final. 

São tantas incertezas,
que mesmo agora,
quando encontro a frase justa,
aquela que salvaria,
o pouco da existência que me resta,
mesmo esta, que acabo de descobrir,
já quero modificá-la.

Talvez buscando uma melhor...

Talvez a achando incompleta...

É, ela era incompleta.

No começo desta ciranda,
deveria ser assim:

Eu te amo e ponto final. Vem comigo!

E mesmo assim ainda não está boa,
falta-lhe um vocativo.

E tanto tempo perco,
aprimorando a prosa...

E tanto tempo perco,
buscando as palavras...

Tanto tempo perdido,
para tornar mais linda a minha história,
que falta-me o tempo mais importante:

Aquele para achar você.

Eliana de Freitas
Enviado por Eliana de Freitas em 22/01/2008
Alterado em 17/05/2026
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