Doação de livros para Bibliotecas Públicas Municipais ou Estaduais
A Editora Limiar Ltda coloca para doação, às bibliotecas de cidades dos estados brasileiros, exceto São Paulo, exemplares do livro:
Dicionário de palavras brasileiras de origem indígena - AUTOR: Clóvis Chiaradia
Patrocínio: Petrobras
728 páginas - Capa dura - Peso: 1,828 Kg - Tamanho: 21,5 x 28,5 cm
ISBN 978-85-88075-33-7
Clóvis Chiaradia pesquisou palavras de origem indígena e sua utilização nos mais diversos cantos do país, nominando plantas, animais, rios, e eventos históricos, entre centenas de outras utilizações.
Com cerca de 30 mil verbetes, este dicionário mescla o erudito e o curioso; não se trata de um estudo acadêmico linguístico, é o resultado de minucioso trabalho de pesquisa de um apaixonado pela língua e cultura indígenas. A compilação desses termos, a maioria de origem Tupi Guarani, mas também das línguas Aruaque, Caribe (Karíb) e Macro-jê, representa uma importante contribuição para a cultura brasileira, produzido pela Editora Limiar com o patrocínio da Petrobrás.
As bibliotecas interessadas deverão enviar seu pedido por e-mail para comercial@editoralimiar.com.br - colocando no campo assunto do email o nome de sua cidade e estado, no corpo da mensagem devem constar: os dados cadastrais completos para a emissão da nota fiscal de doação e todos os dados de contato (Nome, cargo, telefone, fax, endereço, email).
Confira a íntegra do edital acessando: www.editoralimiar.com.br
Revisão em junho de 2026
Estou revisando minhas publicações no Recanto das Letras. Embora este texto seja apenas um comunicado sobre a doação de livros para bibliotecas públicas, seu valor histórico na minha trajetória editorial e pessoal é enorme.
Trabalhei intensamente na produção do Dicionário de Palavras Brasileiras de Origem Indígena, de Clóvis Chiaradia. Na ficha técnica apareço como Coordenadora Operacional, mas, na prática, participei também da conferência e incorporação de milhares de emendas de revisão. Foram cerca de 30 mil verbetes. Ao final do trabalho, precisei usar óculos pela primeira vez na vida.
A equipe que produziu esta obra reunia pessoas muito talentosas. A revisão foi realizada por Sandra Regina de Souza e Valéria Zelik. Pouco depois da conclusão deste trabalho, Sandra lançou seu primeiro livro de poesias, O Texto Sentido, cuja produção também tive a felicidade de acompanhar.
O lançamento do dicionário foi um marco para a Editora Limiar. Na época, meu filho Thiago de Freitas Peixoto integrava a equipe de produção e realizava estágio na assessoria de comunicação Time Press. Ainda não era poeta — trajetória que só começaria em 2012, ao conhecer o movimento de slam no Slam da Guilhermina. O impacto foi tão profundo que mudou completamente sua vida. No mesmo ano, chegou à final do ZAP! (Zona Autônoma da Palavra), realizada no Sesc Pompeia, iniciando um percurso que o transformaria em uma das principais referências da poesia falada periférica de sua geração.
Uma matéria de meia página publicada na Folha de S.Paulo sobre o lançamento da obra trouxe enorme visibilidade ao projeto do Dicionário. Naquela manhã recebemos centenas de contatos e solicitações. Para uma editora pequena como a Limiar, aquilo parecia um milagre editorial.
Também estive à frente de ações de lançamento do livro na Bienal Internacional do Livro de São Paulo e em eventos realizados em Bauru. Nessas ocasiões, pude conviver com o doutor Clóvis Chiaradia, um homem extremamente gentil, sensível e modesto.
Clóvis era médico anestesista em Ourinhos. A pesquisa das palavras indígenas não era sua profissão, era sua paixão. Durante cerca de trinta anos reuniu anotações, pesquisou bibliotecas, consultou obras raras e registrou milhares de termos de origem indígena presentes no cotidiano dos brasileiros. O resultado foi um trabalho monumental de preservação da memória linguística dos povos originários.
Hoje, quando os debates sobre a valorização das culturas indígenas ocupam mais espaço na sociedade, percebo ainda mais a importância da contribuição que Clóvis deixou. Seu dicionário nasceu muito antes de esse tema ganhar a visibilidade que possui atualmente.
Clóvis Chiaradia nos deixou em 2021. Sua obra permanece viva. E, olhando para esta ficha técnica tantos anos depois, percebo que ela registra mais do que a produção de um livro. Registra pessoas em momentos decisivos de suas trajetórias. Alguns ainda estavam descobrindo seus caminhos. Outros já os percorriam havia décadas. Todos deixaram sua marca nesta obra.
Eliana de Freitas